Mostrando postagens com marcador Três Ensaios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Três Ensaios. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de março de 2012

Freud e a "perversão": os Três ensaios (5)


Da última vez dizíamos que o único critério possível para avaliar o caráter patológico de determinada configuração da sexualidade é seu grau de rigidez, fixação ou exclusividade. Pois bem, é bom lembrar que isto se aplica também à heterossexualidade monogâmica ou qualquer outro candidato a normalidade sexual que se apresente. Como Freud indicaria em uma de suas conferências, a genitalidade tradicional, ortodoxa, calcada na diferença sexual e na teleologia da reprodução da espécie não passa de mais uma "bem organizada tirania". Mas voltemos ao texto de 1905.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Freud e a "perversão": os Três ensaios (4)


Estamos de volta, e com novo visual, cortesia da talentosa Nicole Soares. Obrigado, Nicole!

Falávamos da "democratização" freudiana dos mecanismos que subjazem às práticas sexuais mais caricatas. Pois bem, ela comparece de forma particularmente nítida à seção seguinte dos Três ensaios, intitulada “fixações de alvos sexuais provisórios” (Freud, 1996 [1905], p. 147), onde Freud se debruça sobre a escopofilia, o exibicionismo, o sadismo e o masoquismo. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Freud e a "perversão": os Três ensaios (3)

Terminamos o último post mencionando o conflito entre supervalorização e asco. Pois bem, a supervalorização é a força que “não suporta bem a restrição do alvo sexual à união dos órgãos genitais propriamente ditos” (Ibid., p. 142). Essa força, responsável pelo que tradicionalmente se diria serem ‘desvios’ do alvo sexual ‘normal’ (será assemelhada progressivamente à pulsão em si), é também, no entanto, a fonte da “credulidade do amor” (Ibid., p. 142), do que só pode ser entendido como a mais corriqueira paixão romântica: “uma cegueira lógica (enfraquecimento do juízo) perante as realizações anímicas e as perfeições do objeto sexual” (Ibid., p. 142). Através disso, a supervalorização seria também a fonte de qualquer atitude de submissão à autoridade (Ibid., p. 142). 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Freud e a "perversão": os Três ensaios (2)


Continuamos nossa leitura dos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade a partir da seção em que Freud passa da análise da bissexualidade à da radical contingência de alvos e objetos da pulsão sexual, seção esta dedicada a “animais e pessoas sexualmente imaturas como objetos sexuais” (Freud, 1996 [1905], p. 140).  

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Freud e a "perversão": Os Três ensaios (1)


Dois dos pressupostos dos quais Freud se ocupa bastante no primeiro de seus Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, decididamente no sentido de equivocá-los, são o alcance limitado do que se considera ‘perversão’ e seu caráter patológico. O texto, aliás, se inicia deixando  claro que quem está na berlinda é a normalidade, a “suposta norma” (Freud, 1996 [1905], p. 128).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Freud e a "perversão" - prolegômenos

Mencionei ontem que as origens científicas do conceito de perversão colocam uma questão a uma parte da teorização psicanalítica (a que ainda o ratifica, de uma forma ou de outra), dados os elos teológicos implícitos e jurídicos explícitos que tais teorizações oitocentistas tinham. Para ser nítido, uma das possíveis definições de perversão na psicanálise contemporânea baseia-se na salvaguarda da genitalidade como elemento definidor do que seria sexualidade normal, e, no sentido moral, desejável.