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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A fetichização da prática do psicólogo

Foto por Alexandre R. Costa
Thomas Szasz dizia que uma grande vantagem do profissional psi é ser seu próprio instrumento de trabalho. Sua perícia, na escuta e nas intervenções, independe de aparelhos, objetos cristalizadores de técnicas, reificadores de saberes. Ouvir, refletir, devolver, apontar, questionar; nada disso exige, por exemplo, um estetoscópio. Nem mesmo, aliás, um divã. Eu concordo, mas para minha infelicidade, pois isso me coloca hoje à margem da identidade profissional psi hegemônica, eminentemente fetichista.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Muito além da “perversão”: um estudo transversal da Verleugnung - parte 5

(continuado de posts anteriores...)

 A Verleugnung da morte já aparecera explicitamente, em textos anteriores, vinculada à religião, que a partir de 1907 é tomada como “neurose obsessiva universal” (Freud, 1907b/1996, p. 116). Em Reflexões para os tempos de guerra e morte (Freud, 1915/1996), a “concepção de uma vida que continua após [a] morte aparente” (Freud, 1915/1996, p. 304), ou até a mera “divisão do indivíduo em corpo e alma” (Ibid., p. 304), que fornecem a matéria-prima a toda sorte de crença em “existências pretéritas”, “transmigração das almas” ou “reencarnação” (Ibid., p. 305), constituem uma “negação [Verleugnung] da morte, (...) uma atitude ‘convencional e cultural’” (Ibid., p. 305). A relação persiste em O futuro de uma ilusão (Freud, 1927b/1996), texto contemporâneo a Fetichismo: “a religião (...) abrange um sistema de ilusões plenas de desejo juntamente com um repúdio [Verleugnung] da realidade” (Freud, 1927b/1996, p. 52).

terça-feira, 26 de junho de 2012

Muito além da “perversão”: um estudo transversal da Verleugnung - parte 3


(continuado do post anterior...)

O fetichismo e o texto freudiano a ele dedicado tornaram-se o principal ponto de ancoragem de grande parte do discurso psicanalítico dedicado ao campo da perversão. Valas (1990), por exemplo, escreve:

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Freud e a "perversão": os Três ensaios (3)

Terminamos o último post mencionando o conflito entre supervalorização e asco. Pois bem, a supervalorização é a força que “não suporta bem a restrição do alvo sexual à união dos órgãos genitais propriamente ditos” (Ibid., p. 142). Essa força, responsável pelo que tradicionalmente se diria serem ‘desvios’ do alvo sexual ‘normal’ (será assemelhada progressivamente à pulsão em si), é também, no entanto, a fonte da “credulidade do amor” (Ibid., p. 142), do que só pode ser entendido como a mais corriqueira paixão romântica: “uma cegueira lógica (enfraquecimento do juízo) perante as realizações anímicas e as perfeições do objeto sexual” (Ibid., p. 142). Através disso, a supervalorização seria também a fonte de qualquer atitude de submissão à autoridade (Ibid., p. 142).