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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O "eu" em Austin


Estamos analisando, a partir de uma certa crítica de Judith Butler (análoga a uma de Derrida), o estatuto do sujeito falante, performativo, na Teoria dos Atos de Fala de John Langshaw Austin. Parece-me que Austin, diversamente da concepção filosófica tradicionalmente iluminista e racionalista, pressupõe um sujeito nada soberano, mesmo que também nada alienado à constatividade.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Loucura e responsabilidade

Marionetes, de Miquel Bohigas Costabella
Semana passada participei de uma dinâmica de grupo na qual uma das atividades propostas era discutir a responsabilidade sobre a morte de uma mulher neste cenário aqui. Não sei o quanto a dinâmica é manjada entre selecionadores e selecionandos, tampouco o quão folclórica é a menção à revista onde o caso teria sido publicado, mas algo nas opiniões que este suscitou chamou minha atenção: o quão "mal colocado" ficou o personagem do louco no ranking de responsabilidade que nos foi proposto esboçar.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Atribuição de agência (3)

(continuado dos posts anteriores...)

"Tu és aquele..."
Em consonância com um dos exemplos de Lacan, diríamos que a atribuição de agência mais fundamental tem a forma “tu és aquele que age”, com o verbo agir na impessoal terceira pessoa, já que este momento é prévio à “personação do sujeito a que se endereça” (Lacan, 2002 [1955-56], p. 316). Refiro-me à distinção que o autor faz entre os enunciados "tu és aquele que me seguirá" e "tu és aquele que me seguirás", que em Francês são homófonos.

domingo, 8 de julho de 2012

Atribuição de agência (2)

(continuado do post anterior...)

A extensão da área da vida psíquica em que atuam modalidades de atribuição de agência é vasta, proporcional ao quão básico parece ser tal mecanismo. Sendo ou não relativo à questão expiatória, pode-se identificá-lo em inúmeros fenômenos: surge como atribuição de intencionalidade, por exemplo, no animismo, que não é privilégio dos povos primitivos, como assinala Lacan:

Há pessoas capazes de dizer que, no interior do organismo, as diversas ordens de secreção interna trocam entre si mensagens, sob a forma por exemplo de hormônios que vêm avisar aos ovários que está tudo bem, ou, ao contrário, que isso claudica ligeiramente (Lacan, 2002 [1955-56], p. 214).