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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Atribuição de agência (3)

(continuado dos posts anteriores...)

"Tu és aquele..."
Em consonância com um dos exemplos de Lacan, diríamos que a atribuição de agência mais fundamental tem a forma “tu és aquele que age”, com o verbo agir na impessoal terceira pessoa, já que este momento é prévio à “personação do sujeito a que se endereça” (Lacan, 2002 [1955-56], p. 316). Refiro-me à distinção que o autor faz entre os enunciados "tu és aquele que me seguirá" e "tu és aquele que me seguirás", que em Francês são homófonos.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Muito além da “perversão”: um estudo transversal da Verleugnung - parte 5

(continuado de posts anteriores...)

 A Verleugnung da morte já aparecera explicitamente, em textos anteriores, vinculada à religião, que a partir de 1907 é tomada como “neurose obsessiva universal” (Freud, 1907b/1996, p. 116). Em Reflexões para os tempos de guerra e morte (Freud, 1915/1996), a “concepção de uma vida que continua após [a] morte aparente” (Freud, 1915/1996, p. 304), ou até a mera “divisão do indivíduo em corpo e alma” (Ibid., p. 304), que fornecem a matéria-prima a toda sorte de crença em “existências pretéritas”, “transmigração das almas” ou “reencarnação” (Ibid., p. 305), constituem uma “negação [Verleugnung] da morte, (...) uma atitude ‘convencional e cultural’” (Ibid., p. 305). A relação persiste em O futuro de uma ilusão (Freud, 1927b/1996), texto contemporâneo a Fetichismo: “a religião (...) abrange um sistema de ilusões plenas de desejo juntamente com um repúdio [Verleugnung] da realidade” (Freud, 1927b/1996, p. 52).

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Muito além da “perversão”: um estudo transversal da Verleugnung - parte 4


(continuado de posts anteriores...)

 O termo Verleugnung vem sendo traduzido de muitas maneiras diferentes – rejeição, recusa, desmentido, negação, denegação, renegação –, o que acredito refletir justamente sua pluralidade de usos e contextos na própria obra freudiana. A tradução inglesa vigente – rejeição –, assim como a escolha por ‘recusa’ (em menor extensão), parecem enfatizar uma relação direta entre Verleugnung e psicose, algo que vinha sendo construído por Freud explicitamente até 1927, e que não deixa de aparecer ainda em textos bem posteriores, como Construções em análise (Freud, 1937/1996).

terça-feira, 26 de junho de 2012

Muito além da “perversão”: um estudo transversal da Verleugnung - parte 3


(continuado do post anterior...)

O fetichismo e o texto freudiano a ele dedicado tornaram-se o principal ponto de ancoragem de grande parte do discurso psicanalítico dedicado ao campo da perversão. Valas (1990), por exemplo, escreve: