A mania configura-se durante a posição depressiva, sendo principalmente uma defesa contra a ambivalência, contra o reconhecimento de que o objeto primário, a mãe, originalmente mais ambiente do que propriamente objeto, é continente simultâneo, como protótipo do mundo externo e receptáculo de projeções, tanto dos aspectos idealizados da existência quanto dos mortíferos e ameaçadores.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
Atribuição de agência (2)
(continuado do post anterior...)
A extensão da área da vida psíquica em que atuam modalidades de atribuição de agência é vasta, proporcional ao quão básico parece ser tal mecanismo. Sendo ou não relativo à questão expiatória, pode-se identificá-lo em inúmeros fenômenos: surge como atribuição de intencionalidade, por exemplo, no animismo, que não é privilégio dos povos primitivos, como assinala Lacan:
Há pessoas capazes de dizer que, no interior do organismo, as diversas ordens de secreção interna trocam entre si mensagens, sob a forma por exemplo de hormônios que vêm avisar aos ovários que está tudo bem, ou, ao contrário, que isso claudica ligeiramente (Lacan, 2002 [1955-56], p. 214).
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Atribuição de agência (1)
A partir do pensamento de René Girard pode ser delineada, por trás de suas várias roupagens, determinada tendência humana de exteriorização de causalidade – um aspecto da méconnaissance – que parece estar na base dos fenômenos expiatórios e que implica em que a identificação do agente em uma dada situação seja um trabalho psíquico: o agente não é dado, mas construído, negociado. Tentarei aqui delinear a noção desta tendência – à qual gostaria de me referir pela expressão atribuição de agência – em diálogo com Lacan e o filósofo da linguagem John Langshaw Austin.
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