(continuado do post anterior...)
A extensão da área da vida psíquica em que atuam modalidades de atribuição de agência é vasta, proporcional ao quão básico parece ser tal mecanismo. Sendo ou não relativo à questão expiatória, pode-se identificá-lo em inúmeros fenômenos: surge como atribuição de intencionalidade, por exemplo, no animismo, que não é privilégio dos povos primitivos, como assinala Lacan:
Há pessoas capazes de dizer que, no interior do organismo, as diversas ordens de secreção interna trocam entre si mensagens, sob a forma por exemplo de hormônios que vêm avisar aos ovários que está tudo bem, ou, ao contrário, que isso claudica ligeiramente (Lacan, 2002 [1955-56], p. 214).